Integração é o próximo desafio
José Guillermo Alcorta* - O Estado de S.Paulo
- O amadurecimento do turismo brasileiro nos últimos anos é visível nas três esferas que compõem a base desta indústria: o empresariado, mais profissional e unido, o Executivo, mais técnico e com planejamento a longo prazo, e, chegando em boa hora, o Legislativo, já ciente de que o turismo é propulsor de desenvolvimento, empregos e renda.
É até lógico que os empresários tenham sido os primeiros a acreditar no turismo, já que era o seu negócio que estava em jogo. Venceram adversidades em uma época em que o turismo não era essa indústria tão evidente.
Hoje, décadas depois, o pioneirismo de nomes como Stella Barros, Aldo Leone, Modesto Mastrorosa, Mário de Mello Faro, Mayer Ambar e tantos outros criou um ambiente profissional maduro, propício para grandes negócios e investimentos, como comprovam empresários do porte de Guilherme Paulus, da CVC, Elói D''Ávila de Oliveira, da Flytour, Goiaci Alves Guimarães, da Rextur, Alceu Vezzozo Filho, da rede Bourbon, e Álvaro Bezerra de Mello, da rede Othon.
Demonstra esse grau de maturidade e integração o fato de que a grande maioria está agrupada em conventions e visitors bureaux estruturados, com verba e planos definidos: captar negócios para suas cidades, Estados e para o Brasil. Mesmo objetivo de entidades como Resorts Brasil, FOHB e Favecc.
O Executivo, representado pelo Ministério do Turismo, criado há apenas cinco anos, e pelas Secretarias de Turismo, antes agrupadas a outras pastas, também evoluiu. Os Estados mostram força ao se fazer representar no Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais de Turismo e em entidades como a Fundação CTI-Nordeste, ao partirem para ações ousadas de promoção e ao desenvolverem seus pólos turísticos visando os mercados interno e externo. O MTur tem um mecanismo oficial de aproximação com o trade, o Conselho Nacional de Turismo, criou regras claras para a distribuição de verbas oficiais, tem um plano para a promoção do Brasil no Exterior e novos produtos e facilidades para o brasileiro conhecer seu País.
No Legislativo, a relevância do turismo comprova-se pela existência de duas comissões, na Câmara e no Senado, e da Frente Parlamentar de Turismo, além de emendas individuais que garantem acréscimo importante ao orçamento do Ministério do Turismo.
Com esses três pilares funcionando de forma mais consistente, planejada e efetiva, feito em que ajudou a persistência da Abav, estamos prontos para o próximo e fundamental salto: a integração.
Antes, cada um fazia a sua parte. Agora, porém, às vésperas de abrigar uma Copa do Mundo, oportunidade única para uma nova fase do turismo brasileiro, a integração das três áreas significa potencializar a força de cada uma deles e multiplicar os resultados e as chances de acertar. Se chegarmos a 2014 juntos, integrados, falando a mesma língua, o golaço será do turismo.
O Fórum Panrotas - Tendências do Turismo 2008, que ocorre em São Paulo, entre 18 e 19, terá líderes do Executivo como a ministra Marta Suplicy, empresários, entidades de classe e, pela primeira vez, uma quantidade expressiva de deputados e senadores. Todos participando de debates, assistindo a palestras de especialistas e trocando idéias e experiências, com um objetivo único: trabalhar para o desenvolvimento de nossa indústria e de nosso País.
Essa Copa, para nós, já começou. Temos os craques, os campos e os estádios. Falta apenas montarmos, juntos, as tabelas dos jogos. Os jogos pelo turismo brasileiro. A vitória é certa.
* José Guillermo Alcorta, presidente do Grupo Panrotas
